sábado, 20 de janeiro de 2018

Soneto, n.329(Para Meire Ellem)

O caminho Inicia
lembrarandAndo Oswald_______ minha terra
hoje 'niversaria com menos palmeiras,
quase Nenhum pau-brasil:

são abricós que os baticuns de Janêro
vão Cururus cantar no troncho Perau
seu lamentê por essa terr'altanÊra
que a samarco enraBichou na febre

A
  M
     A
       R
         EEELAA... ô caeté do capeta,
eu Vi duas mãozInhas
quebRadas que nEm bonecA de lÔça,
guri d'alguÉm que a morte cHamou

pro bucho________ mas deixa estaR, que
ELES TRÊS virão CobraRaaar... com Juros.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Polichinélia, n.2(Para piano, que nem os Choros n.5. À memória de Heitor Villa-Lobos. À Luciana Moraes, Amada. Soneto, n.328)

Amor meu: eu Vi os anjos das ciDades altas,
eles caÍam 'graçadinhos feito semicolcheias
no jazz Andário do meu lado Esquerdo, Tuhú_______
de sol, de Sequóias___________

sou graTo em toDos os Cubos por teus AssÔpros,
teus MundaÚs, teus potes de mel e manGa
que alevantaro da pedra meus eRês
como se todo dia fosse folia de Cazumbas

e o abutre do Prometeu finarAlmente Aprendesse
com quantos paus se faz uma jangAda e voaSse
pra Longe dele ou eu mesmo o Empalava, lampÊro -
como no dia em que desCi de minha Mãe no

Méier_________os anJos tornando às pautas,
jazz Cabinda e Fuzarco, amor meu: graças a Ti.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Soneto, n.327(Parceria com Luciana Moraes)

A voz se veste de Noite: e o colchão velho 
pesa como uma Sombra de granito.
O sol já não ancora na janela, e o que foi novo
não é mais que sementes de melancia 

no chão Triste de cimento. Traças saem 
da primeira visão da curva, trazem ossos
tatuados nos braços fuderosos_________
tempo d'amanhÃs taMbém já Foi

quaIs derRadeiras abelhas: nossos poréns
não couberam no poTe de mel. 
Detive-me na poNte - inteRminável sofá 
que além de Falso, er'Outro temPo

Lilás__________ voz se veste de Noite,
Marés de efós-Nevoeiro...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O manto do profeta(Soneto, n.326. Para Luciana Moraes, e pro meu irmão André Mauro)

LáÁá depois dos seTe estágios CriÔntimos -
onde as âncoRas dos séculos repoUsam -
o manto imaginaDo por Prometeu
eram o vinho e o pão debaiXo da pele

do profeta à salvo da mulher de Antélio -
a mesma - que noUtro pomo Encarnário
rasgou as roupas de José no Egito_________
dando inÍcio à prociSsão das vacas 

no sonHo do Raul-Faraó, e os ossos lá fora 
eram os restos das manhãs em Teerã-79,
que se acabavam em Deus e na matérIa
de milênios amasSaradOs no lagar das Uvas__________

parece(meu SenHor!) que me desdobRei, Assim
como um cristal ronrona todas as Cores.

Na casa feia(Soneto, n.325. À memória do grande Lamartine Babo)

A tarde lançA do cume Sísifo seus traques:
são dois, nÃo, dez cagalHões de granIto, gigantes,
e batem no cocurUto com tal veemência 
quE espanta os pianos e os fagOtes

ali pousados: saem furIosos, asSobiaNdo
o trerenzím do caipira num modo MônstRuro,
e na receita não faltam os guinchos da bruxa
de blair - na veRdade a velhíssima Moura Torta_________

o esbarRôndio cabrúcio que mora na casa 
mais FêÊêia da rua aruuma na cara
um chorambéU com Dó de tudo que a vida Madra
madrastamente - e Lampêira - lhe ofereceu:

sou EU, LamartinÊ, o moreno do rancho Fundo,
que nem viola teM mais, pra aceNar pra ela...

Janêro e os pé d'água maxixando(Soneto, n.324. Para o amigo e mestre Adeivan Ferreira)

Noite de chuuuva seTe dias de empÓs
a queima de fogo nas balsAs - aguanzÉu
cascalhando os traque' nos couro' Tudo,
e Longe o jongo-InfÂncia do teMpo.

Trovorões são cavalânIos aTômicos às escabrontas
no céu, a gente pensa nas tróias,
que oS anjos vão dar um troÇo - quizômboras
de belelÉu com trinta dias pra pagar_________

a tempestade iNunda a mantiqueira e os testículos,
apaga as suruCucús e maIs os picos de jacA:
ossanha vai no AchurÊio de que hoje é milhó
uns edredons com talagaRça de Pinga__________

o pasSaredo fuma uns trabuco', brinca de beriMbau
inté São Pedro lembrar que é Feio mijarar na cama.

domingo, 7 de janeiro de 2018

À gaivota(Soneto, n.323. Para Luciana Moraes)

À gaivota que passa: reabre, ó Cor d'asas
o tamparilho do poço outrora Açucarado 
no caos da Treva - aquece, desde Emaús
o coração numeroso. O mais

serão esporões que anjos-mórios
descartam nos Isolões de gramacho:
que aos teus espelhos nunca jamais faltem Olhos,
água a dessalgar edifícios_________

verás que o Tempo delas galeras
voltou sobre os esqueletícios
do elétrico mar
d'Horizontes________ reabre,

Impávea, ave-Altíssona
a Cor do vôo de tuas Asas.